quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Localização e Caracterização das Subregiões do Centro Sul
Região Centro Sul
Professor Ms. Nonato Bouth
1- Pantanal: Problemas ambientais devido a caça predatória e poluição dos rios com mercúrio da garimpagem praticada no norte do mato Grosso.
2- Triângulo Mineiro: área de influência de Uberaba e Uberlândia. Atividade pecuarista (gado zebu) e agronegócio (soja e arroz).
3- Quadrilátero Ferrífero: área delimitada pelas cidades de Belo Horizonte, Santa Bárbara, Congonhas e Mariana. Extração de ferro.
4- Vale do Jequitinhonha: apresenta pobreza extrema. Condições naturais semelhantes ao sertão (clima semi-árido, caatinga e rios intermitentes). Produção de carvão vegetal.
5- Espírito Santo e Norte do Rio de Janeiro: produção de petróleo (bacia de campos e pré-sal).
6- Vale do Paraíba (área compreendida entre a grande São Paulo e a Grande Rio de Janeiro). É a metrópole brasileira. Área de grande dinamismo econômico.
7- Vale do Ribeira: presença japonesa, banana e chá da índia. Uma das áreas mais pobres de São Paulo.
8- Interior Paulista: apresenta grande crescimento econômico devido a desconcentração industrial que passou a caracterizar a Grande São Paulo - Desconcentração concentrada.
9- Pontal do Paranapanema: engloba o oeste paulista e norte do Paraná - café – solo de terra roxa – MST – conflitos agrários.
10- Grande Curitiba: colonização eslava (russos, tchecos, iugoslavos e poloneses) – colonização de cidades como Lapa e Ponta Grossa.
11- Vale do Itajaí: área de colonização alemã – cidades de Blumenau, Brusque, Joinvile e Itajaí – indústria têxtil.
12- Vale do Tubarão: área de extração de carvão mineral – cidades de Criciúma, Lauro Muller, Urussanga e Siderópolis.
13- Região Serrana do Rio Grande do Sul: colonização italiana.Cultivo de uva. Colonização de cidades de Garibaldi, Farroupilha, Caxias do Sul e Bento Gonçalves.
14- Campanha Gaúcha: região de campos, pecuária de qualidade (raça européia) e agronegócio com soja, trigo e arroz. Apresenta problemas da arenização e desertificação.
Arenização, ou formação de bancos de areia, é o processo de retirada de cobertura vegetal em solos arenosos, em regiões de clima úmido, com regime de chuvas constantes, como o sudoeste do Rio Grande do Sul (veja abaixo o processo que desencadeia o problema). Esse fenômeno não deve ser confundido com a desertificação, que ocorre em clima árido, semiárido e semiúmido e assemelha-se a uma seca prolongada e intensa.
Relevo
A arenização tem estreita relação com a geologia local e ocorre, necessariamente, em terrenos com desníveis, com partes altas e baixas.
Chuvas e vento
Temporais e ventos fortes retiram restos de vegetação e sedimentos do solo das áreas mais altas, depositando-os nas partes baixas do terreno.
Ação humana
O desmatamento e o uso inadequado do solo potencializam o depósito de sedimentos, dificultando o crescimento de nova vegetação na área.
Consequencia
Sem novas plantas, o terreno empobrece. Sua arenosidade natural é reforçada pelo acúmulo de sedimentos, o que forma os bancos de areia.
Obs: para maior compreensão consulte na internet o endereço: http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=47
Professor Ms. Nonato Bouth
1- Pantanal: Problemas ambientais devido a caça predatória e poluição dos rios com mercúrio da garimpagem praticada no norte do mato Grosso.
2- Triângulo Mineiro: área de influência de Uberaba e Uberlândia. Atividade pecuarista (gado zebu) e agronegócio (soja e arroz).
3- Quadrilátero Ferrífero: área delimitada pelas cidades de Belo Horizonte, Santa Bárbara, Congonhas e Mariana. Extração de ferro.
4- Vale do Jequitinhonha: apresenta pobreza extrema. Condições naturais semelhantes ao sertão (clima semi-árido, caatinga e rios intermitentes). Produção de carvão vegetal.
5- Espírito Santo e Norte do Rio de Janeiro: produção de petróleo (bacia de campos e pré-sal).
6- Vale do Paraíba (área compreendida entre a grande São Paulo e a Grande Rio de Janeiro). É a metrópole brasileira. Área de grande dinamismo econômico.
7- Vale do Ribeira: presença japonesa, banana e chá da índia. Uma das áreas mais pobres de São Paulo.
8- Interior Paulista: apresenta grande crescimento econômico devido a desconcentração industrial que passou a caracterizar a Grande São Paulo - Desconcentração concentrada.
9- Pontal do Paranapanema: engloba o oeste paulista e norte do Paraná - café – solo de terra roxa – MST – conflitos agrários.
10- Grande Curitiba: colonização eslava (russos, tchecos, iugoslavos e poloneses) – colonização de cidades como Lapa e Ponta Grossa.
11- Vale do Itajaí: área de colonização alemã – cidades de Blumenau, Brusque, Joinvile e Itajaí – indústria têxtil.
12- Vale do Tubarão: área de extração de carvão mineral – cidades de Criciúma, Lauro Muller, Urussanga e Siderópolis.
13- Região Serrana do Rio Grande do Sul: colonização italiana.Cultivo de uva. Colonização de cidades de Garibaldi, Farroupilha, Caxias do Sul e Bento Gonçalves.
14- Campanha Gaúcha: região de campos, pecuária de qualidade (raça européia) e agronegócio com soja, trigo e arroz. Apresenta problemas da arenização e desertificação.
Arenização, ou formação de bancos de areia, é o processo de retirada de cobertura vegetal em solos arenosos, em regiões de clima úmido, com regime de chuvas constantes, como o sudoeste do Rio Grande do Sul (veja abaixo o processo que desencadeia o problema). Esse fenômeno não deve ser confundido com a desertificação, que ocorre em clima árido, semiárido e semiúmido e assemelha-se a uma seca prolongada e intensa.
Relevo
A arenização tem estreita relação com a geologia local e ocorre, necessariamente, em terrenos com desníveis, com partes altas e baixas.
Chuvas e vento
Temporais e ventos fortes retiram restos de vegetação e sedimentos do solo das áreas mais altas, depositando-os nas partes baixas do terreno.
Ação humana
O desmatamento e o uso inadequado do solo potencializam o depósito de sedimentos, dificultando o crescimento de nova vegetação na área.
Consequencia
Sem novas plantas, o terreno empobrece. Sua arenosidade natural é reforçada pelo acúmulo de sedimentos, o que forma os bancos de areia.
Obs: para maior compreensão consulte na internet o endereço: http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=47
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Quadro dos Programas, Projetos e Obras de Infraestrutura Implantados na Amazônia Pós 60
Autor: Nonato Bouth - nonatobouth@hotmail.com
Ano Programa/Projetos Características
1966 OPERAÇÃO AMAZÔNIA - Política desenvolvimentista do Governo Militar para a Amazônia. Proporcionou a extinção da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia – SPVEA e criou a SUDAM.
1967 JARI - Projeto Florestal para a produção de celulose.
- Projeto mineral não metálico (caulim).
1967 ZONA FRANCA DE MANAUS - Projeto Industrial e comercial.
- Contribui para o processo de ocupação do interior da Amazônia.
1970 PIN - Abertura de novas rodovias de integração (Transamazônica e Cuiabá-Santarém).
- Promoveu projetos de colonização(nordestinos) dirigida ao longo da Transamazônica (Agróvilas).
“Terra sem homens, para hímens sem terra” e “Integrar para não entregar”.
1974 POLAMAZÔNIA - Proporcionou a criação de 15 pólos (áreas) de desenvolvimento e que seriam propicias para a prática da agropecuária e da mineração.
- O Estado direciona a infra-estrutura e migrações para esses pólos.
1980 PGC - Propunha a exploração em larga escala e de forma integrada dos recursos naturais da Amazônia Oriental. Fizeram parte do Programa Carajás os projetos Carajás e Trombetas; a hidrelétrica de Tucuruí; o Complexo Albras-Alunorte e a Alumar no Maranhão.
1981 POLONOROESTE - Propunha o asfaltamento da rodovia Cuiabá-Porto Velho e ao longo da mesma implantar projetos de colonização (sulistas)
1985 PCN - Propunha a proteção da fronteira amazônica para coibir o narcotráfico, a proteção de grupos indígenas do conflito com garimpeiros e madeireiros, além de proteger recursos minerais da Amazônia, como o urânio, da cobiça internacional.
1992 SIVAM/SIPAM - Proteção tecnológica da Amazônia através de radares objetivando coibir ações ilícitas como o narcotráfico, promover o monitoramento ambiental, proteger o espaço aéreo amazônico, estudo do clima e da biodiversidade, do solo e subsolo além de identificar as nações indígenas da Amazônia.
• Projeto Trombetas: extração de bauxita em Oriximiná (rio Trombetas). Empresa responsável - Mineração Rio do Norte.
• Projeto Juruti: extração de bauxita em Juruti. Empresa responsável – Alcoa e Ominia Minérios.
• Hidrelétrica de Tucuruí: sustentação de energia dos grandes projetos. Localiza-se no rio Tocantins.
• Hidrelétrica de Belo Monte: Prevista para ser construída na volta grande do rio Xingu, no estado do Pará. Em seu novo projeto a hidrelétrica inundará 400 km de área, afetando os municípios de Altamira, Vitória do Xingu, Anapú e Senador José Porfírio. Também promoverá impactos sociais aos índios Pakiçamba.
IMPACTOS DOS GRANDES PROJETOS
- Aumento da dívida externa brasileira
- Absorção de mão de obra qualificada do centro sul brasileiro.
- Alteração no perfil econômico da região afetando o extrativismo vegetal.
- Criação das Company Toiwns (cidadelas construídas e planejadas para atender a mão de obra empregada nos projetos – ex: Vila dos Cabanos, Vila da Eletronorte (Tucuruí) e Porto Trombetas em Oriximiná).
CAUSAS DO DESMATAMENTO
- Grandes projetos mineradores
- Extração de madeira para fins comerciais
- Abertura de rodovias e outras obras de infra-estrutura
- Pecuária
- Agronegócio (Soja)
CONSEQUENCIA DO DESMATAMENTO
- Perda da Biodiversidade
- Empobrecimento do solo
- Aumento da temperatura
- Alteração no índice pluviométrico (chuvas)
A partir da implementação das rodovias do Programa de Integração Nacional (PIN), o espaço amazônico passou a iniciar um processo de reorganização, com as seguintes mudanças:
A perda de importância sócio-econômica dos núcleos urbanos localizados próximos aos rios e que dependiam exclusivamente desse tipo de circulação.
O surgimento e o crescimento de núcleos urbanos ao longo das rodovias.
O surgimento de centros urbanos regionais passou a ser influenciado economicamente e socialmente pelas vias fluviais e pelas rodovias.
Ocorreu uma redefinição e uma maior complexidade da rede urbana amazônica, pois passou a ocorrer uma maior circulação de pessoas, mercadorias e capitais pelas rodovias. A rede urbana deixa de ser predominantemente dendrítica (as cidades e seu processo de circulação dependiam fundamentalmente dos rios), para ser predominantemente complexa (as cidades e seu processo de circulação passam a depender fundamentalmente das rodovias).
Ocorreu uma maior integração da Amazônia com as outras regiões do Brasil.
A intensificação de fluxos migratórios em direção as áreas localizadas as proximidades das rodovias.
Uma maior valorização das terras localizadas ao longo das rodovias.
Maior degradação dos recursos naturais da região.
Apropriação dos recursos pelo grande capital.
O ritmo de crescimento das cidades é mais intenso na Amazônia Oriental, que sofreu influência da abertura da Belém-Brasília e da instalação do PGC.
Característica da dinâmica das cidades
* Inchaço populacional nas capitais dos Estados.
* Fortalecimento de centros urbanos regionais.
* Surgimento e o crescimento de cidades em função dos projetos de colonização.
* Implantação de núcleos urbanos para atender as empresas e seus respectivos projetos.
* Retração de cidades tradicionais.
Ano Programa/Projetos Características
1966 OPERAÇÃO AMAZÔNIA - Política desenvolvimentista do Governo Militar para a Amazônia. Proporcionou a extinção da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia – SPVEA e criou a SUDAM.
1967 JARI - Projeto Florestal para a produção de celulose.
- Projeto mineral não metálico (caulim).
1967 ZONA FRANCA DE MANAUS - Projeto Industrial e comercial.
- Contribui para o processo de ocupação do interior da Amazônia.
1970 PIN - Abertura de novas rodovias de integração (Transamazônica e Cuiabá-Santarém).
- Promoveu projetos de colonização(nordestinos) dirigida ao longo da Transamazônica (Agróvilas).
“Terra sem homens, para hímens sem terra” e “Integrar para não entregar”.
1974 POLAMAZÔNIA - Proporcionou a criação de 15 pólos (áreas) de desenvolvimento e que seriam propicias para a prática da agropecuária e da mineração.
- O Estado direciona a infra-estrutura e migrações para esses pólos.
1980 PGC - Propunha a exploração em larga escala e de forma integrada dos recursos naturais da Amazônia Oriental. Fizeram parte do Programa Carajás os projetos Carajás e Trombetas; a hidrelétrica de Tucuruí; o Complexo Albras-Alunorte e a Alumar no Maranhão.
1981 POLONOROESTE - Propunha o asfaltamento da rodovia Cuiabá-Porto Velho e ao longo da mesma implantar projetos de colonização (sulistas)
1985 PCN - Propunha a proteção da fronteira amazônica para coibir o narcotráfico, a proteção de grupos indígenas do conflito com garimpeiros e madeireiros, além de proteger recursos minerais da Amazônia, como o urânio, da cobiça internacional.
1992 SIVAM/SIPAM - Proteção tecnológica da Amazônia através de radares objetivando coibir ações ilícitas como o narcotráfico, promover o monitoramento ambiental, proteger o espaço aéreo amazônico, estudo do clima e da biodiversidade, do solo e subsolo além de identificar as nações indígenas da Amazônia.
• Projeto Trombetas: extração de bauxita em Oriximiná (rio Trombetas). Empresa responsável - Mineração Rio do Norte.
• Projeto Juruti: extração de bauxita em Juruti. Empresa responsável – Alcoa e Ominia Minérios.
• Hidrelétrica de Tucuruí: sustentação de energia dos grandes projetos. Localiza-se no rio Tocantins.
• Hidrelétrica de Belo Monte: Prevista para ser construída na volta grande do rio Xingu, no estado do Pará. Em seu novo projeto a hidrelétrica inundará 400 km de área, afetando os municípios de Altamira, Vitória do Xingu, Anapú e Senador José Porfírio. Também promoverá impactos sociais aos índios Pakiçamba.
IMPACTOS DOS GRANDES PROJETOS
- Aumento da dívida externa brasileira
- Absorção de mão de obra qualificada do centro sul brasileiro.
- Alteração no perfil econômico da região afetando o extrativismo vegetal.
- Criação das Company Toiwns (cidadelas construídas e planejadas para atender a mão de obra empregada nos projetos – ex: Vila dos Cabanos, Vila da Eletronorte (Tucuruí) e Porto Trombetas em Oriximiná).
CAUSAS DO DESMATAMENTO
- Grandes projetos mineradores
- Extração de madeira para fins comerciais
- Abertura de rodovias e outras obras de infra-estrutura
- Pecuária
- Agronegócio (Soja)
CONSEQUENCIA DO DESMATAMENTO
- Perda da Biodiversidade
- Empobrecimento do solo
- Aumento da temperatura
- Alteração no índice pluviométrico (chuvas)
A partir da implementação das rodovias do Programa de Integração Nacional (PIN), o espaço amazônico passou a iniciar um processo de reorganização, com as seguintes mudanças:
A perda de importância sócio-econômica dos núcleos urbanos localizados próximos aos rios e que dependiam exclusivamente desse tipo de circulação.
O surgimento e o crescimento de núcleos urbanos ao longo das rodovias.
O surgimento de centros urbanos regionais passou a ser influenciado economicamente e socialmente pelas vias fluviais e pelas rodovias.
Ocorreu uma redefinição e uma maior complexidade da rede urbana amazônica, pois passou a ocorrer uma maior circulação de pessoas, mercadorias e capitais pelas rodovias. A rede urbana deixa de ser predominantemente dendrítica (as cidades e seu processo de circulação dependiam fundamentalmente dos rios), para ser predominantemente complexa (as cidades e seu processo de circulação passam a depender fundamentalmente das rodovias).
Ocorreu uma maior integração da Amazônia com as outras regiões do Brasil.
A intensificação de fluxos migratórios em direção as áreas localizadas as proximidades das rodovias.
Uma maior valorização das terras localizadas ao longo das rodovias.
Maior degradação dos recursos naturais da região.
Apropriação dos recursos pelo grande capital.
O ritmo de crescimento das cidades é mais intenso na Amazônia Oriental, que sofreu influência da abertura da Belém-Brasília e da instalação do PGC.
Característica da dinâmica das cidades
* Inchaço populacional nas capitais dos Estados.
* Fortalecimento de centros urbanos regionais.
* Surgimento e o crescimento de cidades em função dos projetos de colonização.
* Implantação de núcleos urbanos para atender as empresas e seus respectivos projetos.
* Retração de cidades tradicionais.
sábado, 24 de julho de 2010
Agradecimento a Família Impacto
O Professor Nonato Bouth agradece a toda família do colégio Impacto de Belém do Pará, em especial aos professores Francisco e Silvana Gemaque pela contribuição que deram para que o mesmo desenvolvesse seu trabalho de pesquisa aprovado na Universidade Autónoma de Asunción com Magna Lauda.
AGORA SIM, MESTRE EM EDUCAÇÃO!
Hoje, 23/07/2010 é um dia feliz para todos da família do professor Nonato Bouth, pois nessa data o referido professor defendeu, na Universidad Autónoma de Asunción, sua dissertação de mestrado com o seguinte tema: "Metodologia da Avaliação de Docentes: Equívocos e Reflexos Comportamentais Pedagógicos", obtendo da banca avaliadora aprovação com magna lauda.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
A Amazônia e a dimensão humana de sua geografia
Saint-Clair Cordeiro da Trindade JúniorGeógrafo. Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) e Professor Adjunto do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Introdução
No entendimento do que seja a Amazônia, duas posições têm se feito notar. Uma delas trata a Amazônia a partir de uma pretensa unicidade. Fala-se da região como um espaço homogêneo. Na verdade, trata-se de uma idéia pronta e acabada do que seja a Amazônia, inventada a partir de pressuposto a-históricos, sem a presença do homem e de sua história, com critérios de delimitação rígidos. Em um outro pólo, contrapondo-se a essa concepção "formatada" de região, fala-se de Amazônia como um conceito arbitrário, uma representação imposta, em geral por quem a olha de fora. Denomina-se como único o que é diverso, impõe-se uma identidade única a uma pluralidade de culturas, de naturezas e de sociedades. Nesta concepção, a Amazônia é uma invenção, que não é capaz de explicar muita coisa.Se a primeira postura é problemática porque desconsidera a natureza humana e social do espaço geográfico, a segunda postura nega uma realidade objetiva que, na maioria das vezes, serve de referência para compreendemos particularidades importantes que esse espaço do território brasileiro e sul-americano apresenta na sua interação com o mundo.Gostaríamos, então, aqui, de partir do pressuposto de que para compreender a Amazônia é necessário considerá-la como uma região, no sentido geográfico do termo. E quando falamos em sentido geográfico de região, estamos nos referindo a uma certa porção do espaço que se caracteriza por uma dada particularidade. Não significa, então, tratar de unicidade geográfica, de espaço homogêneo, nem tampouco em falarmos daquilo que é único, das singularidades geográficas (Corrêa, 1997).A idéia de homogeneidade geográfica, acreditamos, não nos ajuda a compreender um espaço, como o amazônico, que é um espaço muito diverso, tanto do ponto de vista da natureza, como do ponto de vista da existência humana. Por outro lado, também não se trata de falar de individualidades ou de singularidades, que estão mais relacionadas com o conceito de lugar, que propriamente com o de região. Sabemos muito bem da existência de diversas Amazônias, ou seja, de diversas singularidades que podem ser reconhecidas nessa dimensão continental que chamamos de Amazônia, mas é principalmente a partir de suas particularidades que gostaríamos de identificá-la como uma região. Nesse sentido, a proposta de entendimento que estamos aqui procurando esboçar, busca reconhecer a Amazônia como um espaço particular, como uma região, que serve de mediação entre o universal (o mundo) e o singular (o lugar).Considerando, então, a impropriedade de tratarmos a Amazônia como espaço homogêneo e a dificuldade de situá-la no contexto global reconhecendo apenas singularidades, a pergunta que nos cabe, aqui, seria: quais as particularidades que nos ajudam a compreender a Amazônia enquanto uma região? Esta resposta, nos parece, tem sido respondida de diferentes maneiras ao longo do tempo. 2. A Amazônia como um ecossistemaUma primeira particularidade que tem sido bastante divulgada desde a chegada dos primeiros colonizadores nesse espaço que estamos chamando de Amazônia, tem sido, sem dúvida, pautada no reconhecimento da natureza como conformadora de um quadro geográfico muito próprio. Trata-se, portanto, de enxergar a Amazônia como um ecossistema, no qual o domínio da floresta equatorial, imbricada a elementos como o clima e a hidrografia, destacam a particularidade conferida à região. O conceito de Pan-Amazônia, muito utilizado para fins de cooperação econômica entre os países da América do Sul onde domina a floresta equatorial, está assentado nessa idéia de Amazônia.Sem dúvida, várias críticas foram dirigidas ao reconhecimento da Amazônia enquanto ecossistema apenas. Primeiro porque privilegia um quadro natural, anterior a presença do homem, desconsiderando processos históricos e identidades culturais que conformaram um espaço humanizado, cuja caracterização vai além do espaço natural. Depois, porque desconsidera a formação territorial e sua dimensão humana e histórica como elemento importante para compreender o papel do espaço amazônico no Brasil e no mundo. Essa concepção de região natural, passou a ser negada, em grande parte, por estar assentada muitas vezes nos rigores conceituais do determinismo geográfico, no qual a região é pensada sob uma perspectiva a-histórica e o espaço é tido como algo dado pela natureza, determinando a dinâmica do homem como ser social.Análises mais recentes, entretanto, em especial no âmbito da Geografia Física, buscam tratar a importância da região como ecossistema, de maneira a compreender mesmo o processo de formação do espaço brasileiro e a forma de apropriação da natureza no interior desse processo. É assim, pois, que alguns autores, ao tratarem dos domínios morfoclimáticos no Brasil, consideram a alteração do quadro natural a partir do processo histórico de apropriação da natureza. O domínio morfoclimático amazônico é um tentativa de conferir particularidade a essa porção do território brasileiro.Nesse sentido, mesmo considerando a pertinência do posicionamento que nega a Amazônia como ecossistema apenas, pensamos ser impossível desconsiderar a natureza como elemento importante na compreensão da particularidade regional amazônica. Proceder de outra forma, significaria descartar um elemento de grande importância no reconhecimento da identidade regional.3. A Amazônia como espaço estratégico de açãoOutra noção de Amazônia, baseia-se no reconhecimento da mesma como espaço estratégico para a ação e o planejamento do Estado. É com base nessa preocupação que surge o conceito de Amazônia Legal, assimilado e divulgado nos órgãos de planejamento e de desenvolvimento regional. Essa é uma noção de região, ou diríamos mais, é um discurso sobre a região, bastante presente nos documentos que estabelecem ações e intervenções nesse espaço regional. É o que se verifica nos diversos Planos de Desenvolvimento da Amazônia - PDAs (Nahum, 1999).A particularidade da região nessa perspectiva, segundo Nahum (1991), parece ser reconhecida principalmente por elementos como:a) A riqueza de recursos naturais a ser explorada. Nesta perspectiva, a natureza é considerada como matéria-prima, explorada através do solo, do subsolo, dos recursos hídricos, etc.b) A predominância de espaços vazios que devem ser ocupados. O espaço não é tido na sua dimensão social, mas como base material a ser ocupada, sendo, portanto, um espaço sem homem, a-histórico. Trata-se de um espaço bem próximo da visão newtoniana de espaço, que se define como um recipiente, absoluto, independente, infinito, tridimensional, fixo, uniforme. Em outras palavras, um substrato passivo para o desenvolvimento dos fenômenos. c) O Homem na Amazônia, como região de planejamento, é tratado como recurso humano, como população, como contigente de mão-de-obra, de pessoas. Não se deixa claro se esse homem é negro, branco, cafuzo, mulato, mameluco ou caboclo, assim como não se identifica seus tempos e seus espaços. Suas culturas particulares não são sequer mencionadas. Trata-se de um homem genérico, abstrato, homogêneo. É um homem-objeto que ocupa espaços vazios, sendo apenas um habitante e não um criador de espaços.Conforme ainda Nahum (1999), o que prevalece nessa concepção de espaço é a idéia de uma região funcional onde o novo e o velho se polarizam e se estranham. O velho se apresenta como obstáculo ao novo, daí a necessidade de ser superado. Revela-se, também, como parte dessa particularidade regional, a exuberância de recursos, a existência de uma população irregularmente distribuída e a necessidade e possibilidade de complementaridade com outras regiões, a fim de propagar a modernização e a integração. Daí vem a necessidade de se estabelecer "pólos de desenvolvimento" como irradiadores de modernização e como fatores de integração.A particularidade da região, segundo essa perspectiva, é, na verdade, uma área diferenciada onde se agrupam uma natureza que é desumanizada, um espaço neutro, sem relações, e um homem-objeto a ser manipulado (Nahum, 1999).4. A Amazônia como fronteiraMuito difundida nas abordagens geográficas mais recentes, a Amazônia como fronteira, é, na verdade, considerada como o mais recente espaço de expansão e projeção das relações capitalistas de produção.Nessa interpretação, a Amazônia tornou-se uma verdadeira fronteira econômica de ação do capital e de controle político do Estado no processo de estruturação do território brasileiro. O sentido de região, nessa concepção, considera que: "fronteira ... não é sinônimo de terras devolutas, cuja apropriação econômica é franqueada a pioneiros ou camponeses. É um espaço também social e político, que pode ser definido como um espaço não plenamente estruturado, potencialmente gerador de realidades novas (...) É, pois, para a nação, símbolo e fato político de primeira grandeza, como espaço de projeção para o futuro, potencialmente alternativo. Para o capital, a fronteira tem valor como espaço onde é possível implantar rapidamente novas estruturas e como reserva mundial de energia (Becker, 1990, p.11).Os estudos mais recentes de Becker (1996 e 1997) buscam mostrar também as mudanças nas estratégias de ocupação do espaço regional amazônico. Para a autora, a grande fronteira hoje assume não só um novo significado, como também uma nova escala, que expressam a transição para um novo padrão de inserção do Brasil no sistema mundial. Ao vetor técnico-industrial, responsável pela estruturação do espaço regional enquanto "economia de fronteira", junta-se um outro, o vetor tecno-ecológico, que pressupõe acrescentar o avanço tecnológico na exploração e preservação dos atributos ecológicos da região. A Amazônia, segundo essa concepção, é o espaço em estruturação, para onde as relações capitalistas de produção tendem a se expandir e se consolidar, alterando, sobremaneira, a organização sócio-espacial anterior. Fala-se, então, de diversas fronteiras compondo a fronteira econômica: a madeireira, a agrícola, a industrial, a energética, a urbana, dentre outras. Traz também implícita a idéia de ocupação de novas terras e de uma nova direção do processo de colonização e de incorporação de novos espaços à economia de mercado. Apresenta-se, ainda, como região de novas possibilidades, seja por parte do capital na exploração dos recursos, seja por parte da força de trabalho, que define novas formas de apropriação territorial no interior do espaço em estruturação. A fronteira é também definida, como sugere Martins (1996 e 1997) ao retomar a natureza conceitual do termo, como sendo o espaço por excelência de conflito social, sendo, por isso, essencialmente o lugar da alteridade:"À primeira vista é o lugar do encontro dos que por diferentes razões são diferentes entre si... Mas o conflito faz com que a fronteira seja essencialmente, a um só tempo, um lugar de descoberta do outro e do desencontro. Não só o desencontro e o conflito decorrentes das diferentes concepções de vida e visões de mundo de cada um desses grupos humanos. O desencontro na fronteira é o desencontro de temporalidades históricas, pois cada um desses grupos está situado diversamente no tempo da História (...) A fronteira só deixa de existir quando o conflito desaparece, quando os tempos se fundem, quando a alteridade original e mortal dá lugar à alteridade política, quando o outro se torna a parte antagônica do nós. Quando a História passa a ser a nossa História, a História da nossa diversidade e pluralidade, e nós já não somos nós mesmos porque somos antropofagicamente nós e o outro que devoramos e nos devorou" (Martins, 1996, p.27).Mais recentemente, esta noção de Amazônia como fronteira vem sendo questionada dada a natureza conceitual de que se reveste. É assim que Nogueira (2001) pontua alguns elementos para questionar o uso tão corrente dessa noção de Amazônia. A noção de fronteira, para Nogueira (2001), é objeto de um uso acrítico, seja por intelectuais de fora da região, seja por intelectuais de dentro da própria região.São argumentos desse questionamento:a) Os diversos significados atribuídos ao termo levaram a sua vulgarização, dificultando, mais do que facilitando, a compreensão da região e de sua articulação com o território nacional.b) Trata-se de uma noção construída de fora, e que não permite a leitura do espaço pelos atores sociais internos.c) Traz embutida também a idéia de uma centralidade dominante, na qual a fronteira está sempre fora e na periferia, caracterizando uma visão etnocêntrica de espaço geográfico. d) Por isso mesmo possui um significado desagradável e pejorativo dado, em regra geral, por quem está no centro; significado este que acaba sendo transmitido a sua população.Se a noção de região de fronteira está incompleta e não consegue explicar tudo, esta é uma evidência inquestionável. Na verdade, o que se vê, em especial na Geografia, é que essa noção traz como tripé: a) o destaque a uma preocupação econômica dos processos que modelam o espaço regional, b) o impacto do modo de produção capitalista e suas formas recentes de reprodução nas organizações espaciais anteriores, e c) a necessidade de explicar o desenvolvimento desigual e combinado no interior do território nacional. Isto não nos autoriza, entretanto, a descartar o conceito como uma das possibilidades de explicar processos a que ele se propõe a compreender. A existência de uma Divisão Territorial do Trabalho no interior do território nacional nos parece revelar a constituição da Amazônia como fronteira econômica, e fronteira econômica não homogênea, diga-se de passagem; fato este também enfatizado por diversos autores que conceberam a região como fronteira, a exemplo de Becker (1990), que reconhece diferenças internas, como a Amazônia Oriental e a Amazônia Meridional. Ou, ainda, como faz Magnano (1990), que diferencia a Amazônia internamente em: 1. região de influência direta de Belém. 2. região de influência direta de Manaus. 3. região de disputa entre formas capitalistas de produção e formas alternativas de exploração do espaço produtivo, 4. região da fronteira norte, 5. região de predomínio de estruturas tradicionais em lento processo de transformação.Mesmo a discussão política inerente a esse processo parece não ser negligenciada pelos autores que se utilizam dessa noção para compreender o que seja a Amazônia, faltando, entretanto, uma maior discussão da dimensão cultural inerente a essa noção de região. Ainda que incompleta, como bem sugere Nogueira (2001), esta é, sem dúvida, uma noção de Amazônia que tem apontado elementos interessantes para se entender a particularidade que caracteriza a Amazônia enquanto espaço socialmente produzido, seja no contexto nacional, seja no contexto internacional. Acreditamos, entretanto, ser necessário avançar nesse empreendimento. É nessa preocupação que a seguir serão esboçados elementos que consideramos importantes para a compreensão da Amazônia como região. 5. À Guisa de Conclusão e de Proposição.A necessidade de superação de discursos sobre a região ou a partir da região e a necessidade de avançarmos na proposição conceitual é algo que tem nos exigido cada vez mais pensar uma concepção de Amazônia.O que considerar nessa conceituação? De início, faz-se necessário pensar na importância do conceito de região colocando o homem no centro dessa discussão para compreender a Amazônia. Nesse sentido, a particularidade regional é dada pelo papel dos homens na produção social do espaço geográfico amazônico. Ainda que pensar as realidades amazônicas a partir da noção de lugar seja de extrema importância nos dias de hoje, não se trata de suplantar o conceito de região pelo de lugar, como se a Amazônia fosse repleta somente de singularidades, ou ainda, que esse conjunto de singularidades não configurassem conjuntamente qualquer particularidade.O conceito de região serve de mediação entre processos gerais e singulares do ponto de vista histórico e econômico, como também reconhece, no espaço, uma dimensão e um recorte mediador que, no nosso entender, traz uma grande força política que pode ser apoiada na identidade regional.O papel do homem na configuração da identidade regional não pode ser distanciado de um outro elemento que nos parece de grande importância para compreender a Amazônia: a presença da natureza e a forte ligação do homem com ela. A natureza, aqui considerada, não é a natureza isolada, mas a natureza reconhecida a partir de uma identidade de vida, ou a presença da natureza ligada a várias identidades de vida e de culturas, presentes no interior da própria região. A predominância e a combinação de várias temporalidades parece ser outro elemento da particularidade regional. Assim, não se trata apenas de uma temporalidade hegemônica, a capitalista, que se impõe e que se caracteriza principalmente como processo econômico, mas inclui também tempos lentos, como aqueles das populações tradicionais. A partir dessa perspectiva, uma outra particularidade pode ser reconhecida, a particularidade das intensidades dos conflitos que se dão em decorrência do convívio dessas diversas temporalidades e que também define uma diversidade de territorialidades. Em função da pluralidade de relações com a natureza, das diversas temporalidades e espacialidades que aqui se apresentam, é uma sociedade territorializada que se caracteriza também pela pluralidade de resistências, sejam elas operárias, indígenas ou camponesas. Quem não lembra de Chico Mendes na defesa das reservas extrativistas; da índia Tuíra em Altamira resistindo à construção da Usina de Belo Monte no final da década de 80; dos negros do Trombetas que lutam pelos seus recursos naturais e pela sua cultura; dos sem terra do massacre de Eldorado; dentre muitas outras resistências que marcam a pluralidade de temporalidades e de conflitos, nos quais se coloca como centro da questão a defesa da terra, da natureza e da cultura contra temporalidades hegemônicas. Nesse sentido, a fronteira não é apenas o espaço do externo, do que se impõe, mas também do interno, do que resiste.Alia-se a esses, outro elemento que define a particularidade regional. A intensidade da expropriação dos recursos, da terra, da cultura; com uma forte, expressiva e evidente presença do Estado que, inclusive, insere outras identidades a serem reconhecidas como identidades amazônicas. É o caso do ex-norte de Goiás e também do Oeste do Maranhão. Se trabalharmos com a dimensão das representações das pessoas que vivem nesses espaços, dificilmente eles se definirão como não-amazônidas. Esse tipo de representação tem a ver com a política do Estado que os inseriu nessa particularidade regional.Outro elemento que nos ajuda a pensar a particularidade regional é o fato de a Amazônia se constituir em região de perdas, mais do que espaço de ganhos e de comando. Aqui, mais uma vez, fica clara a importância de considerar a estruturação do espaço amazônico como região de fronteira; do contrário, teríamos dificuldade de compreender as formas e intensidades da expansão capitalista no território brasileiro e mundial, que implica em movimentos e processos que vêm de fora. E, nessa concepção, a Amazônia em hipótese alguma pode ser definida como centro de comando e de origem dos processos no quais ela historicamente, e forçosamente, teve que se inserir, ainda que com manifestações de resistências.Por fim, a Amazônia, ainda que seja pontuada de tempos rápidos, e que definem espaços de altas luminosidades, como nos ensinou teoricamente Santos (1994), é, sem dúvida, o espaço, a região, onde há um predomínio do tempo lento. Aqui, este atributo não está sendo usado de maneira pejorativa, mas como um qualificativo de potencialidade política e de vida; afinal, a força dos fracos, conforme nos ensinou Santos (1994), é o seu tempo lento. É o tempo lento que nos faz reconhecer vivências, sociabilidades e, por conseguinte, identidades e, também, resistências.
CONCEPÇÕES SOBRE A REDE URBANA
Profa. Dra. Regina Araújo.
O conceito chave é o conceito de rede.
Rede é a interação do fluxo e do fixo. O fixo é o espaço geográfico, a estrutura. Os fluxos compreendem a dinâmica. Há fluxos materiais e imateriais:
a) fluxos materiais = rede de estradas, cidades, etc.
b) fluxos imateriais = comunicação, idéias ( pelo telégrafo posso mandar fluxos imateriais que não precisam da estrutura de transportes)
O conceito geográfico de rede urbana: ela só existe quando os fluxos e os fixos es-
tão interligados.
A rede urbana é um conjunto de cidades ligadas por materiais e imateriais.
Os fixos são os assentamentos.
Os fluxos são a dinâmica, que liga as necessidades.
A rede urbana é o eixo de ligação para a conexão das cidades.
Funções da rede urbana = comunicação + território.
“O Brasil é muito menos urbano do que demonstram as estatísticas oficiais. Na realidade, deve ter apenas 50% do que as estatísticas apresentam.
Äs cidade brasileiras têm densidade demográfica abaixo das mundiais( que consideram urbano apenas o que está na sede do município).
O europeu considera como cidade o que está no núcleo( tem escola, posto de saúde, é sede de comarca, etc) e que o urbano diz respeito ao conjunto de funções urbanas.
O conceito de urbano, no Brasil, é equivocado porque considera o perímetro geográfico, não as relações de fluxo.
A estatística do IBGE sobre rede urbana aponta 4.495 cidades brasileiras, mas só mais ou menos 2.000 são consideradas rede urbana.
O IBGE considera rede urbana quem tem uma agência bancária, um médico residente, uma única emissora de rádio AM, sede de comarca, entre outros.
Mas, na realidade, só fazem parte da rede urbana brasileira 2.100 cidades, isto é, as que têm funções urbanas mínimas. (fluxos materiais e fluxos imateriais).
A idéia de rede urbana não é nova. Surge desde que a cidade é cidade. Estabelece relações materiais e imateriais desde que nasce
Mesmo antes da revolução industrial, as cidades portuárias, por exemplo, eram centros de urbanização da região. A importância das cidades portos da bacia do Mediterrâneo, por ex., vem das relações comerciais e de transporte.
Alguns centros de colonização brasileira com Recife, Salvador, são centros de urbanização de uma região, proporcionando um relacionamento entre si.
A revolução industrial deu início ao processo que geraria fluxos também não materiais. Surgem os meios de comunicação usando outros caminhos, desligando do caminho da matéria. Os fluxos materiais se distanciam dos fluxos imateriais (telefone, internet, etc). A revolução industrial cria novas configurações de rede urbana, possibilitando a conexão com áreas mais distantes e com métodos mais modernos. As redes que unificam e integram as cidades brasileiras só foram conseguidas após a revolução industrial, usando a circulação rodoviária. Não existia rede urbana nacional, mas existia rede urbana regional. Por exemplo: a rede urbana da região produtora de açúcar do Nordeste era só regional.
Com o café ela passa a ser espalhada, atingindo o primeiro padrão de rede urbana brasileira.
No início era só em relação ao porto, à economia externa. Hoje, a relação é entre elas. Entre as diferentes redes internas.
Em 1950 podia falar em redes, mas era com dimensão local, isto é, Porto de Santos e interior do estado. Eram as ferrovias.
As redes urbanas brasileiras nasceram como redes locais e regionais. Hoje são nacionais.
Na segunda metade do século XX, se consolida a rede urbana brasileira. Mas, cada uma de suas partes nasceu numa época diferente. Eram épocas distintas e com características históricas também distintas. Nasciam com um objetivo, como, por exemplo,
a rede urbana de Belém. Outras nasceram como entrepostos comerciais, como Recife. Elas estabeleciam redes com centros produtores e estabeleciam relações com o mercado externo. Rio de Janeiro foi eixo básico de exportação da época mineradora.
Hoje, as cidades da Amazônia, foram criadas pela mineração, mas no começo, eram ao longo do Rio Amazonas. Eram através das hidrovias. Na década de 70, ocorre a integração da Amazônia pelas cidades mineradoras-exportadoras. Carajás, por exemplo, é um enclave porque tem pouca relação com as outras regiões brasileiras.
A rede urbana do Brasil tem a ver com um tipo de fluxo. A partir da década de 50 ela surge por causa da rede rodoviária. Os fluxos entre as cidades, além do transporte de mercadorias, têm outros objetivos.
Até 1955 havia pouca rede urbana pavimentada no Brasil e, também, não eram unificadas.
A partir de 1964 já começa haver um adensamento, principalmente em relação a Brasília e ao Nordeste.
Em 1975 surge a primeira ligação, que foi a Belém-Brasília. A partir daí as redes materiais começam a se expandir. Na década de 90 há integração dessas rodovias. Há desenvolvimento da malha rodoviária.
Mas, foi só a partir de 1960 que o IBGE começou a estudar a rede urbana do Brasil.
Em 1972 sai o primeiro mapa (retrato) da rede de influência urbana brasileira. Surge a classificação em metrópoles nacionais, metrópoles regionais, cidades importantes, etc.
A abrangência espacial da cidade depende da influência que ela exerce, o grau de sofisticação que oferece nas várias áreas.
No Brasil há duas grandes metrópoles nacionais, muitas metrópoles regionais e inúmeras cidades.
Atenção: Não há superposições. A área de influência de uma metrópole não interfere ou cobre área ou parte de área de influência de outra cidade. Não há superposição de polarização.
Metrópole já nasceu em função urbana ( não de população), mas dos bens e serviços que ela oferece ( depende das funções).
A forma de organização da rede urbana é atropelada pela globalização.
O que é a globalização? É a aceleração dos fluxos de informação. É um mundo mais veloz utilizando energias diferentes.
No Brasil, a estrutura do território ainda continua sendo formada pelas redes antigas (básicas de transportes) Mas as redes não são só materiais, são também imateriais. ( São fixo mais fluxo).
Cidades globais == São as que prestam serviços avançados para o mundo inteiro (Nova Iorque, Tóquio e Londres) Elas têm a função de ser um nó nos interesses mundiais.
Outras não são pólos tão importantes mas também exercem influência na região, em uma parte do globo.
Nos países emergentes as cidades se armam para receber investimentos estrangeiros ( A Argentina era um deles; hoje deixou de ser, porque os investimentos sumiram).
Por que tem cidades globais? Porque os fluxos e os fixos são concentrados em determinados locais que têm capacidade de difusão desses valores (ou fatores).
Os negócios são feitos (preparados) por via eletrônica, mas para “fechar” os negócios precisa ser “cara a cara”. Por isso essas cidades ainda existem como cidades globais.
A rígida hierarquia deixou de existir. Hoje há uma troca possível em todas as direções.
Quais as justificativas que os órgãos públicos estão dando para essas modificações.
O IBGE está requalificando todos os centros urbanos brasileiros.
O atual mapa do IBGE mostra o caráter descontínuo de atuação ou influência das cidades brasileiras: 1) descontínuo; 2) disposição e superposição.
Qual a novidade sobre a Hierarquia Urbana ? São Paulo e Rio de Janeiro são consideradas metrópoles globais. São as grandes cidades da economia emergente.
O conceito chave é o conceito de rede.
Rede é a interação do fluxo e do fixo. O fixo é o espaço geográfico, a estrutura. Os fluxos compreendem a dinâmica. Há fluxos materiais e imateriais:
a) fluxos materiais = rede de estradas, cidades, etc.
b) fluxos imateriais = comunicação, idéias ( pelo telégrafo posso mandar fluxos imateriais que não precisam da estrutura de transportes)
O conceito geográfico de rede urbana: ela só existe quando os fluxos e os fixos es-
tão interligados.
A rede urbana é um conjunto de cidades ligadas por materiais e imateriais.
Os fixos são os assentamentos.
Os fluxos são a dinâmica, que liga as necessidades.
A rede urbana é o eixo de ligação para a conexão das cidades.
Funções da rede urbana = comunicação + território.
“O Brasil é muito menos urbano do que demonstram as estatísticas oficiais. Na realidade, deve ter apenas 50% do que as estatísticas apresentam.
Äs cidade brasileiras têm densidade demográfica abaixo das mundiais( que consideram urbano apenas o que está na sede do município).
O europeu considera como cidade o que está no núcleo( tem escola, posto de saúde, é sede de comarca, etc) e que o urbano diz respeito ao conjunto de funções urbanas.
O conceito de urbano, no Brasil, é equivocado porque considera o perímetro geográfico, não as relações de fluxo.
A estatística do IBGE sobre rede urbana aponta 4.495 cidades brasileiras, mas só mais ou menos 2.000 são consideradas rede urbana.
O IBGE considera rede urbana quem tem uma agência bancária, um médico residente, uma única emissora de rádio AM, sede de comarca, entre outros.
Mas, na realidade, só fazem parte da rede urbana brasileira 2.100 cidades, isto é, as que têm funções urbanas mínimas. (fluxos materiais e fluxos imateriais).
A idéia de rede urbana não é nova. Surge desde que a cidade é cidade. Estabelece relações materiais e imateriais desde que nasce
Mesmo antes da revolução industrial, as cidades portuárias, por exemplo, eram centros de urbanização da região. A importância das cidades portos da bacia do Mediterrâneo, por ex., vem das relações comerciais e de transporte.
Alguns centros de colonização brasileira com Recife, Salvador, são centros de urbanização de uma região, proporcionando um relacionamento entre si.
A revolução industrial deu início ao processo que geraria fluxos também não materiais. Surgem os meios de comunicação usando outros caminhos, desligando do caminho da matéria. Os fluxos materiais se distanciam dos fluxos imateriais (telefone, internet, etc). A revolução industrial cria novas configurações de rede urbana, possibilitando a conexão com áreas mais distantes e com métodos mais modernos. As redes que unificam e integram as cidades brasileiras só foram conseguidas após a revolução industrial, usando a circulação rodoviária. Não existia rede urbana nacional, mas existia rede urbana regional. Por exemplo: a rede urbana da região produtora de açúcar do Nordeste era só regional.
Com o café ela passa a ser espalhada, atingindo o primeiro padrão de rede urbana brasileira.
No início era só em relação ao porto, à economia externa. Hoje, a relação é entre elas. Entre as diferentes redes internas.
Em 1950 podia falar em redes, mas era com dimensão local, isto é, Porto de Santos e interior do estado. Eram as ferrovias.
As redes urbanas brasileiras nasceram como redes locais e regionais. Hoje são nacionais.
Na segunda metade do século XX, se consolida a rede urbana brasileira. Mas, cada uma de suas partes nasceu numa época diferente. Eram épocas distintas e com características históricas também distintas. Nasciam com um objetivo, como, por exemplo,
a rede urbana de Belém. Outras nasceram como entrepostos comerciais, como Recife. Elas estabeleciam redes com centros produtores e estabeleciam relações com o mercado externo. Rio de Janeiro foi eixo básico de exportação da época mineradora.
Hoje, as cidades da Amazônia, foram criadas pela mineração, mas no começo, eram ao longo do Rio Amazonas. Eram através das hidrovias. Na década de 70, ocorre a integração da Amazônia pelas cidades mineradoras-exportadoras. Carajás, por exemplo, é um enclave porque tem pouca relação com as outras regiões brasileiras.
A rede urbana do Brasil tem a ver com um tipo de fluxo. A partir da década de 50 ela surge por causa da rede rodoviária. Os fluxos entre as cidades, além do transporte de mercadorias, têm outros objetivos.
Até 1955 havia pouca rede urbana pavimentada no Brasil e, também, não eram unificadas.
A partir de 1964 já começa haver um adensamento, principalmente em relação a Brasília e ao Nordeste.
Em 1975 surge a primeira ligação, que foi a Belém-Brasília. A partir daí as redes materiais começam a se expandir. Na década de 90 há integração dessas rodovias. Há desenvolvimento da malha rodoviária.
Mas, foi só a partir de 1960 que o IBGE começou a estudar a rede urbana do Brasil.
Em 1972 sai o primeiro mapa (retrato) da rede de influência urbana brasileira. Surge a classificação em metrópoles nacionais, metrópoles regionais, cidades importantes, etc.
A abrangência espacial da cidade depende da influência que ela exerce, o grau de sofisticação que oferece nas várias áreas.
No Brasil há duas grandes metrópoles nacionais, muitas metrópoles regionais e inúmeras cidades.
Atenção: Não há superposições. A área de influência de uma metrópole não interfere ou cobre área ou parte de área de influência de outra cidade. Não há superposição de polarização.
Metrópole já nasceu em função urbana ( não de população), mas dos bens e serviços que ela oferece ( depende das funções).
A forma de organização da rede urbana é atropelada pela globalização.
O que é a globalização? É a aceleração dos fluxos de informação. É um mundo mais veloz utilizando energias diferentes.
No Brasil, a estrutura do território ainda continua sendo formada pelas redes antigas (básicas de transportes) Mas as redes não são só materiais, são também imateriais. ( São fixo mais fluxo).
Cidades globais == São as que prestam serviços avançados para o mundo inteiro (Nova Iorque, Tóquio e Londres) Elas têm a função de ser um nó nos interesses mundiais.
Outras não são pólos tão importantes mas também exercem influência na região, em uma parte do globo.
Nos países emergentes as cidades se armam para receber investimentos estrangeiros ( A Argentina era um deles; hoje deixou de ser, porque os investimentos sumiram).
Por que tem cidades globais? Porque os fluxos e os fixos são concentrados em determinados locais que têm capacidade de difusão desses valores (ou fatores).
Os negócios são feitos (preparados) por via eletrônica, mas para “fechar” os negócios precisa ser “cara a cara”. Por isso essas cidades ainda existem como cidades globais.
A rígida hierarquia deixou de existir. Hoje há uma troca possível em todas as direções.
Quais as justificativas que os órgãos públicos estão dando para essas modificações.
O IBGE está requalificando todos os centros urbanos brasileiros.
O atual mapa do IBGE mostra o caráter descontínuo de atuação ou influência das cidades brasileiras: 1) descontínuo; 2) disposição e superposição.
Qual a novidade sobre a Hierarquia Urbana ? São Paulo e Rio de Janeiro são consideradas metrópoles globais. São as grandes cidades da economia emergente.
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